sábado, 23 de agosto de 2025

Pardinho 2025



Numa época em que a desertificação do mundo rural se acentua a olhos vistos, torna-se cada vez mais premente preservar as tradições herdadas dos nossos antepassados. Muitas vezes essas tradições podem parecer simples ou até insignificantes; noutros casos, essas tradições têm raízes profundas em direitos de pastagem, direitos de águas ou de uso comum da terra. Em qualquer caso, estas tradições representam o fio invisível que liga as gerações e mantêm a identidade do mundo rural.

Nos lugares da Vila, Vale, Quintã e Botica, arrisca-se dizer que a tradição maior é o Pardinho: o dia em que os consortes da levada do Poço do Rio Longo se reúnem e sobem à serra, tal como faziam os seus antepassados, para tornar as águas que mais tarde hão-de regar seus os campos.

Hoje foi dia dessa antiga tarefa. Logo pela manhã, homens e mulheres reuniram-se, não apenas com a sua enxada, mas sobretudo com o sentimento profundo de pertença a uma comunidade que resiste ao tempo e ao esquecimento. A subida à serra, entre tojos, silvas e fragas silenciosas, não é apenas um caminho físico: é uma viagem ao passado, um reencontro com os gestos repetidos de geração em geração, uma forma de reafirmar a ligação à terra e à água que sempre sustentou a vida destes lugares.

Para além de um trabalho colectivo, o Pardinho é uma celebração e uma identidade. É a certeza de que a memória não se apaga enquanto houver mãos dispostas a repetir o gesto ancestral de tornar as águas. Num tempo em que a pressa moderna e o abandono do mundo rural ameaçam apagar o valor das raízes, cada passo dado na serra, cada rêgo limpo, cada pedra afastada é uma vitória contra o esquecimento e uma promessa feita ao futuro.

s/t

Operação Pardinho: terminada!

s/t

"gosto de uma tradiçãozinha bem cumprida!"

domingo, 10 de agosto de 2025