quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

«O traçado da via romana Bracara–Asturica, por Aquae Flaviae, no Concelho de Vieira do Minho»




Fontes, L. e Roriz, A. (2012) – O traçado da via romana Bracara – Asturica, por Aquae Flaviae, no Concelho de Vieira do Minho

O relatório O traçado da via romana Bracara–Asturica, por Aquae Flaviae, no Concelho de Vieira do Minho, da autoria de Luís Fontes e Ana Roriz, atribui à freguesia de Ruivães um papel central na identificação do percurso da estrada romana que ligava Braga a Chaves. No contexto do concelho, Ruivães destaca-se pela concentração, diversidade e bom estado de conservação dos vestígios associados à via, permitindo uma leitura clara da sua implantação no território.

Em Ruivães são identificados vários troços da antiga estrada, nomeadamente o Caminho de Ruivães e o Caminho de Santa Leocádia, com pavimento lajeado, marcas de rodados e, em alguns sectores, muros laterais. O traçado acompanha a morfologia do terreno, assegurando continuidade e funcionalidade, o que permite reconhecer com elevado grau de certeza o percurso da via romana neste sector.

Associadas à estrada encontram-se diversas estruturas de atravessamento hidráulico, como o Pontão da Ribeira de Corga de Mendo e o Pontão da Ribeira de Chedas, construídos em lajes graníticas e apresentando marcas de rodados. A Ponte de Ruivães, de cronologia tardo-medieval, é igualmente integrada no sistema viário, testemunhando a continuidade de utilização da antiga estrada Braga–Chaves ao longo do tempo.

O relatório identifica ainda sítios de povoamento relacionados com a via, destacando-se o Alto de São Cristóvão, interpretado como um núcleo de ocupação romana estrategicamente implantado entre os vales do Cávado e do Rabagão. A presença de materiais de construção romanos e de vestígios medievais, incluindo sepulturas escavadas na rocha, evidencia a longa duração da ocupação e a sua ligação direta ao eixo viário.

Em Ruivães são também referenciados vários miliários romanos, conhecidos desde o século XVIII e dedicados a imperadores como Augusto, Cláudio e Trajano. O relatório procede à revisão crítica da sua localização, corrigindo atribuições erróneas e relacionando-os com o traçado efetivo da via, particularmente na área de São Cristóvão.

Por fim, o documento integra fontes medievais e modernas, como as Inquirições e as Memórias Paroquiais de 1758, bem como a tradição oral, que confirmam a persistência do traçado da estrada em Ruivães ao longo dos séculos. No conjunto, o relatório descreve a freguesia como um dos sectores mais bem documentados da via romana Bracara–Asturica em Vieira do Minho, onde a estrada estrutura o território e o povoamento desde a época romana.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

22º aniversário


Cumprimos hoje o 22º aniversário deste projecto, sempre com o foco em dar a conhecer as gentes, o património, as tradições, os usos e costumes, bem como acompanhar os temas da actualidade ruivanense. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Melro


 

s/t



 

Via Romana XVII em Braga

 






 

A Via XVII era uma das principais vias romanas que partiam de Bracara Augusta, estando documentada no Itinerário de Antonino. Tinha início no lado nascente da cidade romana e assegurava a ligação a Asturica Augusta (Astorga), passando por Aquae Flaviae (Chaves). A sua importância estratégica e funcional é sublinhada pelo facto de integrar a rede viária principal que articulava Braga com o interior da Hispânia.

O traçado desta via na periferia imediata da cidade pôde ser parcialmente comprovado através de dados arqueológicos, em particular pelas escavações realizadas no antigo edifício dos CTT, que permitiram confirmar o local onde a via se ligava a uma das portas da muralha romana tardia. Os autores defendem que o seu percurso se encontra fossilizado em artérias atuais, nomeadamente na Rua do Raio e em troços que estruturaram o crescimento urbano posterior.

Nas margens da Via XVII localizavam-se necrópoles romanas, como era habitual, bem como outros elementos suburbanos, reforçando o seu papel como eixo de saída e entrada da cidade. Já na Antiguidade Tardia e na Alta Idade Média, este corredor viário continuou a ser estruturante, servindo de suporte à instalação de basílicas paleocristãs e de aglomerados populacionais, em particular o núcleo de São Vítor, que se desenvolveu precisamente ao longo desta via.

Durante a Idade Média, a Via XVII perdeu a sua função estritamente romana, mas manteve-se como caminho periférico fundamental, orientando o crescimento extramuros da cidade. O seu traçado deu origem a ruas medievais e modernas, sendo destacada a continuidade entre a antiga via romana e a rua que liga a cidade à Igreja de São Vítor, mais tarde integrada no tecido urbano com a expansão da muralha e, posteriormente, com a abertura de rossios e campos na Época Moderna.

Na Idade Moderna e Contemporânea, a antiga Via XVII corresponde, em grande medida, ao eixo formado pela calçada e campo da Senhora-a-Branca, rua da Régua e atual rua de São Vítor. O documento sublinha que a morfologia do parcelamento ao longo deste eixo — parcelas estreitas e profundas, edificadas junto à rua e com quintais extensos — denuncia claramente a sua origem como caminho antigo progressivamente urbanizado.

Em conclusão, a Via XVII é apresentada como um exemplo paradigmático da persistência morfológica das vias romanas em Braga: um eixo que, desde a época romana, condicionou a localização de necrópoles, núcleos religiosos, paróquias suburbanas e, mais tarde, ruas urbanas, mantendo-se como elemento estruturante do crescimento periférico da cidade até à atualidade.

 

Retirado de "O papel das vias romanas na formação e desenvolvimento periférico da cidade de Braga, desde a época romana até à atualidade." - Maria do Carmo Ribeiro, Manuela Martins


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Quinta da Riba Má nomeada para prémio internacional de arquitectura




«A operação incide sobre um conjunto edificado rural associado ao uso agrícola de terrenos de pastagem e de culturas arvenses de regadio. As construções existentes, em alvenaria de pedra granítica, encontravam-se devolutas e em avançado estado de degradação. Eram constituídas por uma casa de dois pisos, um forno integrado num edifício de um só piso, dois espigueiros e uma eira.
A proposta visa a recuperação e ampliação das edificações existentes, procedendo à sua reconversão numa unidade de turismo em espaço rural.»

Misarela


 

Arremates na Botica - 8 Fevereiro

Ribeiro da Quintã