O relatório O traçado da
via romana Bracara–Asturica, por Aquae Flaviae, no Concelho de Vieira do Minho,
da autoria de Luís Fontes e Ana Roriz, atribui à freguesia de Ruivães
um papel central na identificação do percurso da estrada romana que ligava
Braga a Chaves. No contexto do concelho, Ruivães destaca-se pela concentração,
diversidade e bom estado de conservação dos vestígios associados à via,
permitindo uma leitura clara da sua implantação no território.
Em Ruivães são
identificados vários troços da antiga estrada, nomeadamente o Caminho
de Ruivães e o Caminho de Santa Leocádia, com pavimento lajeado,
marcas de rodados e, em alguns sectores, muros laterais. O traçado
acompanha a morfologia do terreno, assegurando continuidade e
funcionalidade, o que permite reconhecer com elevado grau de certeza o
percurso da via romana neste sector.
Associadas à estrada
encontram-se diversas estruturas de atravessamento hidráulico, como o Pontão
da Ribeira de Corga de Mendo e o Pontão da Ribeira de Chedas,
construídos em lajes graníticas e apresentando marcas de rodados.
A Ponte de Ruivães, de cronologia tardo-medieval, é igualmente
integrada no sistema viário, testemunhando a continuidade de
utilização da antiga estrada Braga–Chaves ao longo do tempo.
O relatório identifica
ainda sítios de povoamento relacionados com a via, destacando-se o Alto
de São Cristóvão, interpretado como um núcleo de ocupação romana
estrategicamente implantado entre os vales do Cávado e do Rabagão. A
presença de materiais de construção romanos e de vestígios medievais,
incluindo sepulturas escavadas na rocha, evidencia a longa duração da
ocupação e a sua ligação direta ao eixo viário.
Em Ruivães são também
referenciados vários miliários romanos, conhecidos desde o século
XVIII e dedicados a imperadores como Augusto, Cláudio e Trajano. O
relatório procede à revisão crítica da sua localização, corrigindo atribuições
erróneas e relacionando-os com o traçado efetivo da via,
particularmente na área de São Cristóvão.
Por fim, o documento
integra fontes medievais e modernas, como as Inquirições e as Memórias
Paroquiais de 1758, bem como a tradição oral, que confirmam a persistência
do traçado da estrada em Ruivães ao longo dos séculos. No conjunto, o
relatório descreve a freguesia como um dos sectores mais bem documentados da
via romana Bracara–Asturica em Vieira do Minho, onde a estrada estrutura
o território e o povoamento desde a época romana.














